Fotografia II

prof. Jo Name

 

As Lentes Fotográficas

Uma lente é um pedaço de material transparente, com pelo menos uma das faces curva, onde ocorre principalmente o fenômeno da refração da luz. As lentes já eram conhecidas na China desde o séc. X, usadas como queimadores; não se tem notícia de serem aproveitadas suas qualidades óticas. Na Europa são conhecidas desde o séc. XIV, como auxiliar à visão, em telescópios e 'camaras obscuras'.

São fabricadas em vidro ou plástico. Na fabricação de vidro ótico são misturados óxidos de silício, alumínio, cálcio, potássio, chumbo e sódio. Variando-se a quantidade de chumbo, varia o índice de refração da lente; assim, o fabricante poderá manipular as propriedades óticas das objetivas.

As lentes podem ser convergentes (positivas - bordas finas) ou divergentes (negativas - bordas espessas), indicando o comportamento dos raios de luz que as atravessam. As modernas objetivas fotográficas combinam elementos divergentes e convergentes, obtendo, ao final um resultado convergente.

Os raios de luz provenientes de uma cena irão formar, ao atravessar a objetiva, uma imagem circular sobre um plano. Esta imagem se chama círculo de iluminação da objetiva. As bordas da imagem apresentarão uma grande perda de nitidez comparadas com o centro, devido ao fato de os raios que passam pela borda da lente não serem convergidos corretamente, causando distorção da imagem. Apenas o centro do círculo de iluminação apresenta qualidade suficiente para ser aproveitado fotograficamente. Será a área de cobertura da objetiva, onde será colocado o filme. Cada objetiva será desenhada para produzir uma imagem de qualidade sobre o tamanho de negativo a que se destina; pode-se usar filme menor, mas não se pode usar um negativo maior sob o risco de se ter as bordas da imagem sem nitidez. O tamanho da imagem não irá variar se for trocado o tamanho do negativo; a porção do objeto que cada tamanho irá registrar é que será diferente. Uma objetiva irá captar um ângulo diferente da cena, para cada formato de filme que se utilizar, independente da distância focal. De acordo com o ângulo de campo visual coberto por uma determinada distância focal num determinado negativo, as objetivas são dividas em normais, grande-angulares e teleobjetivas.

 

- Objetiva normal - objetiva cuja distância focal equivale à diagonal do formato do filme. Apresenta um ângulo de campo visual semelhante à visual monocular do ser humano, de aproximadamente 45º. Nas câmeras formato 135, a normal seria uma objetiva de 43mm. Na prática, utiliza-se 50mm como normal do formato.

- Grande-angular - possui distância focal inferior à da normal do mesmo formato de filme. Apresenta um grande ângulo de campo visual, superior a 70º, daí o seu nome. Objetos próximos ao centro da objetiva aparecem maiores do que os que os da periferia do enquadramento, provocando uma aparência arredondada característica.

- Teleobjetiva - seu nome indica ser mais utilizada para fotografar objetos distantes, devido ao seu pequeno ângulo de visão, de 30º ou menos. Tem distância focal maior que a normal do mesmo formato de filme. Não apresenta distorção da forma de objetos próximos, sendo especialmente indicada para retratos.

- Objetiva zoom – objetiva de distância focal variável. Tem como vantagem a praticidade, uma vez que possui qualidade óptica inferior às objetivas de distância focal fixa.

 

Esquema ótico de uma objetiva

 

 

O = D x A / F = tamanho do objeto em frente à câmera

D = O x F / A = distância entre o objeto e a objetiva (foco)

F = D x A / O = distância focal da objetiva

A = F x O / D = tamanho da imagem (ampliação)

 

Foco

O foco é a convergência dos raios de luz provenientes de um determinado ponto do objeto. Apenas neste plano a imagem do objeto será absolutamente nítida. Há porém, uma limitação na capacidade do olho humano de perceber pequenas variações de nitidez. A acuidade visual varia de uma pessoa para outra, dentro de limites mais ou menos gerais.

 

Distância focal

Em uma lente simples, a distância focal equivale à distância entre o centro da lente e a imagem de um objeto situado no infinito. Nas objetivas, compostas de elementos convergentes (positivos) e divergentes (negativos), a distância focal é medida a partir do ponto nodal - plano imaginário no interior da objetiva onde o raio formador da imagem cruza o eixo da objetiva. Na prática, o ponto nodal irá corresponder ao centro óptico da objetiva.

 

Abertura efetiva da objetiva

Diâmetro do feixe luminoso cobre por completo os elementos internos da mesma. Isso se dá por que o feixe de luz que atravessa a largura de seu primeiro elemento (a frente) é em geral convergido, resultando num feixe de diâmetro menor. A abertura, junto com a distância focal, irá determinar a luminosidade da objetiva, expressa em números-f, da seguinte maneira:

 

f  = F(distância focal)/diâmetro da abertura efetiva.

 

Uma objetiva de 50mm com abertura efetiva de 25mm terá um índice de luminosidade igual a 2. A abertura efetiva é conhecida pelo fabricante da objetiva, que irá fornecer um índice de luminosidade expresso da seguinte maneira 1:2 ou f/2. Este será o número de diafragma mais aberto da objetiva; aquele que permite a passagem da maior quantidade de luz. O número de diafragma não irá corresponder, portanto, a um diâmetro de abertura fixo; o diâmetro será diferente em cada distância focal. Isso acontece porque quanto maior a distância focal, mais longe estará a imagem da objetiva, correspondendo a uma perda de luminosidade. O número-f irá relacionar a luminosidade das objetivas de diferentes distâncias focais.

A escala de números-f será construída diminuindo-se o diâmetro da abertura efetiva em pontos que permitam a passagem da metade da luminosidade do ponto anterior. Como esta relação será baseada na área de cada abertura, multiplicando-se cada ponto sucessivamente pela raiz quadrada de 2 (1,4), será construída a seguinte escala de números-f: 1; 1.4; 2; 2.8; 4; 5.6; 8; 11; 16; 22; 32 etc., correspondendo cada ponto à metade da luminosidade do ponto anterior.

 

Profundidade de campo

Consiste na extensão, à frente e atrás do objeto focado, que também apresenta nitidez de foco aceitável na imagem. Uma imagem com pequena profundidade de campo irá apresentar nitidez apenas nos objetos situados no plano de foco; com uma grande profundidade de campo, objetos situados à frente e atrás do plano de foco apresentarão nitidez aceitável para o olho humano, mesmo que não estejam absolutamente em foco.

A profundidade de campo varia de acordo com:

            distância focal da objetiva - quanto maior a distância focal, menor a profundidade;

            abertura do diafragma - quanto maior a abertura, menor a profundidade;

            distância entre objeto e lente - quanto maior a distância, maior a profundidade;

            diâmetro do círculo de confusão - quanto maior o diâmetro maior a profundidade.

 

Círculo de confusão

Consiste no menor círculo que será percebido como um ponto a uma determinada distância de observação. Por exemplo, a olho nu nos é impossível comparar com precisão o tamanho de duas estrelas; embora sejam enormes corpos celestes, têm a aparência de pontos devido à grande distância que nos separa delas. Na observação de uma imagem, iremos tomar como pontos pequenos círculos levemente maiores que um ponto, e teremos a impressão de que partes da imagem estão nítidas embora estejam suavemente fora de foco. De uma maneira geral, tomaremos como pontos nítidos os círculos de confusão com diâmetro de até 1/1000 da distância de observação. Em uma fotografia observada a 25cm, por exemplo, haverá círculos de até 0,25mm que serão confundidos com pontos. A preocupação do fotógrafo será com a ampliação do negativo; quanto mais se amplia a imagem, mais se ampliam os círculos de confusão, aumentam a impressão de falta de nitidez de certas áreas da imagem. Para que se tenha círculos de confusão de 0,25mm em uma cópia de um negativo ampliado 8 vezes (cópia 18x24cm de um negativo 135), eles não poderão passar de 0,03mm no negativo.

 

Cálculo da profundidade de campo

Boa parte das objetivas de câmeras fotográficas irá trazer um anel indicador da profundidade; câmeras autofoco modernas podem apresentar dispositivo computadorizado. No cinema, utiliza-se as tabelas de profundidade campo dos manuais (American Society of Cinematographers, por exemplo) ou réguas de cálculo. Todos estes sistemas irão se basear nas seguintes fórmulas para indicar as distâncias mais próxima e mais afastada da lente que irão formar imagem de nitidez aceitável:

 

distância próxima: H x D / H + D

 

distância afastada: H x D / H - D, em que:

 

H = distância hiperfocal

D = distância do objeto focado

 

- Distância hiperfocal: distância entre a objetiva e o ponto mais próximo aceitavelmente nítido, quando a objetiva está focada no infinito. Irá variar de acordo com a distância focal da lente, a abertura do diafragma e o diâmetro do círculo de confusão aceitável, de acordo com a fórmula:

 

H=F2 /f x cc, em que:

 

H = distância hiperfocal

F = distância  focal

f = abertura do diafragma

cc = diâmetro do círculo de confusão aceitável

 

Características da luz

A utilização prática do conhecimento a respeito da luz para o fotógrafo estão na intensidade, no comprimento de onda e na trajetória dos raios luminosos. O que chamamos de "luz" equivale à porção do espectro eletromagnético captada pelo olho humano. A radiação eletromagnética é o deslocamento de partículas de energia na forma de ondas de comprimento variado. Cada gama de comprimentos de onda irá caracterizar um tipo de radiação eletromagnética: a luz visível; os raios gama; as ondas de rádio; as microondas; os raios X, ultravioleta e infravermelho; e outros. Esses nomes indicam áreas do espectro divididas com fins didáticos e práticos, pois o espectro é contínuo e não há diferenças abruptas entre as formas de radiação; são divididas de acordo com a percepção humana. Variações no comprimento das ondas e na freqüência da radiação fazem com que tenham diferentes características, como o poder de penetração do raio X ou o aquecimento do infravermelho. Uma fonte de radiação, como o Sol, pode emitir energia dentro de um espectro variado. Por exemplo, decompondo-se a luz solar com um prisma é possível ver um espectro de cores, como as do arco-íris. Outras são invisíveis ao olho humano, (p. ex. os raios ultra-violeta) mas detectáveis por instrumentos.

 

Características das ondas eletromagnéticas

            - Radiação de uma fonte

            - Atravessam o vazio e o "transparente" (som necessita portador)

            - Velocidade alta;

                        vácuo: 300.000 km/seg.

                        vidro: 150.000-200.000 km/seg.

            - Raios retilíneos e divergentes

            - Ondas: irradiam do centro para periferia

            - Partículas: transportam energia (luz=fótons)

 

- Fóton: 1 fóton equivale a 1 quantum de energia luminosa, com massa zero e sem carga elétrica. Quantum é a menor porção possível de energia eletromagnética irradiada de uma fonte.

 

Comprimento de onda

Muda as propriedades da radiação.

escala: 1nm=10-9m = m/1 bilhão (1nm=1lambda=1L)

No caso da luz, o comprimento de onda será responsável pela sensação de cor no olho humano.

 

Propriedades da luz

De uma certa quantidade de energia luminosa que incide sobre um objeto, partes poderão ser refletidas, absorvidas e/ou refratadas(transmitidas), dependendo do material de que é feito o objeto. Por exemplo, o vidro transparente transmite quase a luz que o atinge; uma chapa de metal brilhante irá refletir bastante, absorver um pouco e nada transmitir; o metal pintado de preto fosco irá quase que exclusivamente absorver energia.

 

Reflexão

            - Especular (espelho): Os raios incidentes são refletidos no mesmo ângulo em que incidem. As superfícies podem ser planas, côncavas, ou convexas.

            - Difusa: Os raios são refltidos em ângulos diversos, de maneira caótica.

            - Semi-difusa: Efeito semelhante à reflexão difusa, com parte dos raios refletindo de maneira especular (hot spot).

            - Reflexão neutra: Algumas superfícies refletem igualmente todos os comprimentos de onda.

Se a reflexão > 95%= branco; se 95% > reflexão > 5%= cinzas; se reflexão < 5%= preto.

 

Absorção

A absorção de energia luminosa é compensada com a emissão de outro tipo de energia (incluindo luminosa). A absorção de determinados comprimentos de onda resulta na impressão de cor.

 

Refração

Ocorre na mudança de meio na trajetória da luz. O índice de refração é constante para cada par de meios (ar/água; ar/vidro etc.)

            - Dupla refração (p.ex.: ar-vidro-ar): Os raios sofrem desvio mas se realinham à trajetória inicial.

            - Prismática: Prismas mudam a direção da luz; o ângulo de refração muda de acordo com o comprimento de onda. São a base de construção das lentes.

 

Iluminação

            Sistema luminoso básico:

 

 

Unidades de medida da iluminação

 

            - Intensidade luminosa - I: (candela-cd) corpo negro de 1/60 cm2 de área, aquecido ao ponto de fusão da platina.

            - Fluxo luminoso - F: (lúmen-lm) fluxo emitido por um fonte de 1cd através de 1 esferadiano (1cd=4P lm). Unidade de seleção de lâmpadas.

            - Iluminamento - E: (lux-lx) iluminação de uma superfície de 1m2 atingida por um fluxo de 1lm.  Esta é a unidade que será usada na seleção de refletores (var.: fc-footcandle).

            - Luminância - L: (cd/m2) Luminância, em uma certa direção de uma fonte de área emissiva de 1m2, cuja intensidade luminosa uniforme, na mesma direção, é igual a 1cd.

            - Emitância luminosa: (lúmen/m2-lm/m2) Emitância de uma fonte que emite 1lm por m2 de sua área.

 

Bibliografia

Adams, Ansel. A Cópia. São Paulo, Editora SENAC.

Hedgecoe, John. Manual do Fotógrafo. Rio de Janeiro, Editora JB.

Langford, Michael. Fotografia Básica. São Paulo, Martins Fontes.

Trigo, Thales. Equipamento Fotográfico - Teoria e Prática. São Paulo, Editora SENAC.