Fotografia I
prof.
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A fotografia é o processo de
produção de imagens a partir da ação da luz. Tal processo é constituído de uma
etapa física (formação da imagem na câmera) e outra química (reação do material
fotossensível à ação da luz). O princípio óptico de formação da imagem,
conhecido desde a Antiguidade, desenvolveu-se bastante na Renascença, quando o
dispositivo da “camara obscura” era utilizado para
esboçar os traços de uma pintura. O desenvolvimento da química a partir do sec. XVIII permitiu a busca de maneiras de se fixar a
imagem produzida pela câmera, e no início do sec. XIX
experiências diversas são tentadas, sendo as mais importantes as contribuições de Nièpce e Daguerre, na França, e de Talbot,
na Inglaterra.
A câmera
fotográfica
-
Plano focal: Superfície onde se projeta a imagem captada pela objetiva. É onde
se localiza o filme a ser exposto.
-
Objetiva: Conjunto de lentes responsável pela formação da imagem. Seu ângulo de
visão varia conforme sua distância focal.
-
Mecanismo de foco: Mecanismo que permite variar a distância entre a objetiva e
o filme, tornando mais nítido um determinado plano da cena.
-
Diafragma: Mecanismo que produz, no interior da objetiva, um orifício de
diâmetro variável através do qual passa a luz formadora da imagem. O diafragma
controla o efeito da profundidade de campo, ou seja, permite que uma maior ou
menor extensão da cena apareça nítida na fotografia. As aberturas de diafragma
são calculadas a partir da divisão da distância focal da objetiva pelo seu
diâmetro, e são chamados de números-f ou de pontos de diafragma.
-
Obturador: Sistema de controle do tempo durante o qual a luz atinge o filme.
Responsável pela aparência do movimento do objeto. Pode ser concêntrico
(localizado no interior da objetiva e semelhante ao diafragma) ou de plano
focal (situado junto ao filme, permite a troca de objetivas e
acessórios). A velocidade do obturador é medida em segundos,
correspondentes ao tempo de exposição.
-
Visor: Componente que permite o enquadramento da cena. Pode ser direto (ponto
de vista diferente ao da objetiva; erro de paralaxe) ou mono-reflex
(a imagem do visor é captada pela objetiva da câmera).
Tipos de
emulsão
Filme cromo (slide) – sufixo “~chrome” – positivo colorido –
processo E-6
Filme negativo cor (papel cor) sufixo “~color – negativo colorido – processo
C-41
Filme PB (papel PB) – negativo preto e
branco – revelador D-76, entre outros.
Formatos
de filme
135 (35mm) – filme de dupla perfuração, normalmente tem
uma imagem de 24 x
120 (rolo) – filme sem perfuração de
Chapa 4x5’, 8x10’ ou 20x24’ – filme em folhas
utilizado em câmeras “view”.
Exposição
Momento da entrada de luz na
câmera, formando a imagem sobre o filme. Otermo
também se refere à quantidade de luz a atingir o filme. A atuação do fotógrafo
deve ser técnica (manejo da câmera) e criativa (composição; cor x p/b). No
momento da exposição o fotógrafo muitas vezes irá priorizar o uso de um dos
principais mecanismos, o diafragma ou o obturador. Priorizando o diafragma (maior ou menor
profundidade de campo), a velocidade deverá ser aquela que permitir uma boa
exposição (quantidade de luz correta sobre o filme); sendo preferido o
obturador (movimento borrado ou congelado), a abertura deverá igualmente
permitir uma boa exposição.
Escalas
Cada ponto das escalas do
obturador e do diafragma permite a entrada na câmera do dobro da quantidade de
luz do ponto anterior e da metade da quantidade de luz do ponto seguinte.
Deslocar-se na escala na direção que permite mais luz significa "abrir x
pontos"; na direção que permite menos luz significa
"fechar x pontos".
Tempos do
obturador
longa exposição, mais luz (abrir)
... 1- -1/2- -1/4- -1/8- -1/15- -1/30- -1/60- -1/125- -1/250- -1/500- -1/1000 seg. ...
rápida exposição, menos luz (fechar)
Aberturas
do diafragma
orifício estreito, menos luz (fechar)
...
f/32- -f/22- -f/16- -f/11- -f/8-
-f/5.6- -f/4- -f/2.8- -f/2- -f/1.4- -f/1 ...
orifício largo, mais luz (abrir)
Sensibilidade
do filme
filme menos sensível, menor grão
... ISO
50; 64; 80; 100; 125; 160; 200; 250;
320; 400; 500; 640; 800; 1000; 1250; 1600; 2000; 2500; 3200 ...
filme mais sensível, maior grão
- Reciprocidade: Diz-se da
correspondência entre a quantidade de luz transmitida ao filme pelos
"pares" de obturador-diafragma; o par 1/125-f/4 irá transmitir a
mesma quantidade de luz que o par 1/60-f/5.6 (abriu-se um ponto do obturador e
fechou-se um ponto de diafragma).
- Falha da reciprocidade:
Embora a quantidade de luz seja constante para os pares de uma determinada
situação, tempos muito curtos ou muito longos irão apresentar resultado diferente
na fotografia. Isso se deve ao fato de as reações químicas do filme à ação da
luz variarem de acordo com duração (tempo) da ação da
luz.
-Valor de exposição (EV): Indica os pares obturador-diafragma
correspondentes à determinada exposição para uma determinada
sensibilidade de filme. Como as escalas de obturador e diafragma, cada ponto EV corresponde ao dobro da exposição do ponto anterior e
metade da exposição do ponto seguinte. É utilizado principalmente para
relacionar as diferentes luminâncias de uma
determinada cena.
Processamento
do filme preto e branco
Ao ser exposta à luz dentro
da câmera fotográfica, o filme sofre alterações químicas. Os sais de prata
atingidos pela luz começam a se transformar em prata metálica negra. Quanto
maior a quantidade de luz, maior a transformação. As áreas do filme que
receberem muito pouca ou nenhuma luz não se alteram. A essa transformação damos
o nome de imagem latente, por refletir as variações de luminosidade da cena
fotografada, sem ser, ainda, visível.
O processamento do filme irá
intensificar este processo, formando uma imagem visível, permanente e em
negativo da cena. Para a produção da cópia todo o processo se repete, com a
utilização do papel fotográfico no lugar do filme. Como o original da copiagem
é o negativo, obtém ao final uma cópia em positivo.
Revelação
No interior de um quarto
completamente escuro, ou usando um “saco preto”, coloca-se o filme numa espiral
de metal ou plástico, e esta dentro de um tanque de mesmo material. O tanque
permite a entrada e saída de líquidos porém é
hermeticamente vedado à luz. As etapas seguintes podem ser realizadas à luz
ambiente.
Prepara-se o revelador.
Existem diversos tipos de reveladores para filmes PB, mas o Kodak
D-76 firmou-se como o mais utilizado internacionalmente. Ele pode ser utilizado
em temperaturas de 18º C a 24º C, sendo 20º C a temperatura ideal. Verifica-se
na tabela de revelação do filme qual o tempo que se deve usar para o revelador
e a temperatura
Terminado o tempo de
revelação, despeja-se fora o revelador e o tanque é cheio do interruptor – o
mais rapidamente possível. Este é formado por uma solução de ácido acético
glacial a 5%. A função do interruptor é interromper prontamente a revelação,
garantindo uma revelação uniforme. Agita-se continuamente por 1 minuto.
Despeja-se fora o interruptor
e coloca-se o fixador. Este tem a função de dissolver todos os elementos da
película que não tenham sido transformados em prata negra – ou seja, o fixador
elimina tudo o que não for a imagem. Sua ação torna a
imagem negativa duradoura. Após 5 minutos de fixação já se pode retirar o filme
do tanque para inspeção. Em seguida o filme é lavado, por cerca
de 15 minutos, e colocado para secar.
Copiagem
São dois os tipos de
copiagem: contato e ampliação. O contato, como o nome diz, é feito com o
negativo em contato com o papel fotográfico. A imagem final será do mesmo
tamanho que ela tem no negativo. A ampliação é feita com o ampliador, que
projeta a imagem do negativo sobre uma base, onde é colocado o papel.
Variando-se a altura da cabeça do ampliador tem-se uma imagem maior ou menor.
Em ambos os casos o papel é processado da mesma maneira.
O processamento do papel
segue as mesmas etapas do filme; o revelador de papel mais utilizado é o Kodak Dektol. O interruptor e o
fixador são os mesmo do processamento do filme, podendo, no entanto, variar o
fixador de acordo com o tipo de papel.
Os papéis fotográficos PB não
são sensíveis à luz vermelha ou laranja. Isso facilita o trabalho de copiagem.
A primeira etapa é determinar o tempo de exposição da cópia. Utiliza-se um
pedaço de papel fotográfico, e sobre ele são feitas exposições de mesmo
intervalo (por exemplo, 5 segundos). Esta tira de teste é revelada e examinada
sob luz branca, e verifica-se qual o tempo que produz a melhor imagem. Esse
tempo é utilizado na cópia final. Depois de feito o teste e determinado o tempo
de exposição não se pode alterar a altura da cabeça do ampliador (tamanho da
imagem) nem a abertura do diafragma.
As Lentes Fotográficas
Uma lente é um pedaço de material
transparente, com pelo menos uma das faces curva, onde ocorre principalmente o
fenômeno da refração da luz. As lentes já eram conhecidas na China desde o séc.
X, usadas como queimadores; não se tem notícia de
serem aproveitadas suas qualidades óticas. Na Europa são conhecidas desde o
séc. XIV, como auxiliar à visão, em telescópios e 'camaras
obscuras'.
São fabricadas em vidro ou plástico. Na
fabricação de vidro ótico são misturados óxidos de silício, alumínio, cálcio,
potássio, chumbo e sódio. Variando-se a quantidade de chumbo, varia o índice de
refração da lente; assim, o fabricante poderá manipular as propriedades óticas
das objetivas.
As lentes podem ser convergentes
(positivas - bordas finas) ou divergentes (negativas - bordas espessas),
indicando o comportamento dos raios de luz que as atravessam. As modernas
objetivas fotográficas combinam elementos divergentes e convergentes, obtendo,
ao final um resultado convergente.
Os raios de luz provenientes
de uma cena irão formar, ao atravessar a objetiva, uma imagem circular sobre um
plano. Esta imagem se chama círculo de iluminação da objetiva. As bordas da
imagem apresentarão uma grande perda de nitidez comparadas
com o centro, devido ao fato de os raios que passam pela borda da lente
não serem convergidos corretamente, causando distorção da imagem. Apenas o
centro do círculo de iluminação apresenta qualidade suficiente para ser
aproveitado fotograficamente. Será a área de cobertura da objetiva, onde será
colocado o filme. Cada objetiva será desenhada para produzir uma imagem de
qualidade sobre o tamanho de negativo a que se destina; pode-se usar filme
menor, mas não se pode usar um negativo maior sob o risco de se ter as bordas
da imagem sem nitidez. O tamanho da imagem não irá variar se for trocado o
tamanho do negativo; a porção do objeto que cada tamanho irá registrar é que
será diferente. Uma objetiva irá captar um ângulo diferente da cena, para cada
formato de filme que se utilizar, independente da distância focal. De acordo
com o ângulo de campo visual coberto por uma determinada distância focal num
determinado negativo, as objetivas são dividas em normais, grande-angulares e
teleobjetivas.
- Objetiva normal - objetiva
cuja distância focal equivale à diagonal do formato do filme. Apresenta um
ângulo de campo visual semelhante à visual monocular do ser humano, de
aproximadamente 45º. Nas câmeras formato
- Grande-angular - possui
distância focal inferior à da normal do mesmo formato de filme. Apresenta um
grande ângulo de campo visual, superior a 70º, daí o seu nome. Objetos próximos
ao centro da objetiva aparecem maiores do que os que os da periferia do
enquadramento, provocando uma aparência arredondada característica.
- Teleobjetiva - seu nome
indica ser mais utilizada para fotografar objetos distantes, devido ao seu
pequeno ângulo de visão, de 30º ou menos. Tem distância focal maior que a
normal do mesmo formato de filme. Não apresenta distorção da forma de objetos
próximos, sendo especialmente indicada para retratos.
- Objetiva
zoom – objetiva de distância focal variável. Tem como vantagem a
praticidade, uma vez que possui qualidade óptica inferior às objetivas de
distância focal fixa.
Bibliografia
Adams, Ansel. A
Cópia. São Paulo, Editora SENAC.
Hedgecoe, John. Manual do Fotógrafo. Rio de Janeiro,
Editora JB.
Langford, Michael. Fotografia Básica. São Paulo,
Martins Fontes.
Trigo, Thales. Equipamento Fotográfico - Teoria e
Prática. São Paulo, Editora SENAC.